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Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde

Posted on July 15, 2026 by Rafael Oliveira

Senado aprova PEC que reduz idade mínima dos agentes comunitários nesta terça (14)

Trio de MS apoia “pauta-bomba” que pode custar R$ 27 bilhões à Previdência
Os representantes de Mato Grosso do Sul no Senado: Nelsinho Trad (PSD); Soraya Thronicke (PSB) e Tereza Cristina (PP). (Foto: Arquivo/Agência Câmara)

Nelsinho Trad (PSD-MS), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Tereza Cristina (PP-MS) apoiaram nesta terça-feira (14), em Brasília (DF), uma proposta que garanta aposentadoria diferenciada aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias. A equipe econômica do governo federal classificou a medida como de impacto bilionário sobre a Previdência; no plenário do Senado, ela recebeu 73 votos sinceros e 1 contrário nos dois turnos.

O Senado aprovou com 73 votos elaborados a PEC que garante a aposentadoria diferenciada aos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, diminuindo a idade mínima para 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens), com 25 anos de contribuição. A medida, considerada pauta-bomba pelo governo, pode custar R$ 27,9 bilhões em dez anos. A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Conforme estimativa feita pela Previdência Social, o custo chega a R$ 27,9 bilhões nos primeiros dez anos de vigência das novas regras. A estimativa considera despesas de R$ 17,6 bilhões nos regimes próprios dos servidores públicos e R$ 10,3 bilhões no regime administrado pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A proposta reduz a idade mínima para a aposentadoria dos agentes. Pela regra permanente, as mulheres poderão deixar a atividade aos 57 anos e os homens, aos 60, desde que comprovem 25 anos de contribuição e de trabalho na função.

Atualmente, as categorias seguem as regras gerais da Previdência, com idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. A PEC cria uma transição até 2041.

Agentes que completarem 25 anos de contribuição até o final de 2030 poderão se aposentar aos 50 anos, no caso das mulheres, e aos 52, para os homens. As idades mínimas aumentarão gradualmente até chegar aos 57 e 60 anos previstos na regra permanente.

O texto também assegura integralidade e paridade aos profissionais garantidos aos regimes próprios de Previdência. A integralidade permite calcular a pensão com base nos pagamentos da carga efetiva. A paridade garante aos aposentados os mesmos reajusta os prêmios aos servidores em atividade.

Para os trabalhadores vinculados ao INSS, a União deverá pagar um benefício extraordinário para cobrir a diferença entre o valor da aposentadoria e as contribuições integrais. A regra busca garantir condições equivalentes às disposições para servidores públicos.

Os Estados, Distrito Federal e municípios deverão até 31 de dezembro de 2028 regularizar profissionais que mantenham vínculos temporários, indiretos ou considerados precários. A admissão dependerá da participação anterior em processo público seletivo nas condições previstas pela proposta.

Entre a bancada sul-mato-grossense, Nelsinho Trad fez o uso da tribuna e defendeu a aprovação da proposta durante a votação. O senador afirmou que os agentes exercem uma função indispensável no atendimento à população.

“São profissionais indispensáveis ​​ao funcionamento do SUS. São eles que conhecem as famílias pelo nome, acompanham gestantes, idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, verificam a situação vacinal, identificam situações de vulnerabilidade e orientam a população sobre a prevenção das doenças”, afirmou

Risco às contas – A equipe econômica tentou avançar na votação pública diante do impacto sobre as contas. Durante a análise no Senado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo poderá avaliar medidas na Justiça para conter a despesa.

Segundo Durigan, a criação de um benefício previdenciário exige uma indicação de uma fonte de receita. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento também estimam gastos de cerca de R$ 3 bilhões por ano com a assistência financeira da União aos estados e municípios e os repasses ao regime do INSS.

Nos cálculos do governo, o efeito financeiro pode superar R$ 54 bilhões em 80 anos, diante da redução de receitas e da antecipação do pagamento de benefícios.

A Confederação Nacional de Municípios também se posicionou contra a PEC. A entidade estima impacto de R$ 69,9 bilhões para municípios com regimes próprios de Previdência e afirma que as novas obrigações podem ampliar as despesas das prefeituras sem uma fonte permanente de recursos.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 14 de 2021 segue agora para promulgação pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que articulou a votação. A Câmara dos Deputados já havia aprovado o texto. Por se tratar de mudança na Constituição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode vetar a medida.

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