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Pecuária em MS: intensificação exige gestão e controle de custos

Posted on July 20, 2026 by Rafael Oliveira

Especialista afirma que conhecer os custos e planejar o fluxo de caixa é decisivo para manter a rentabilidade

Pecuária mais intensiva exige gestão para evitar prejuízos, diz consultores
Médico-veterinário Renan Maciel, da Aliança Assessoria e Consultoria Pecuária (Foto: Grupo Aliança/Divulgação)

A pecuária de Mato Grosso do Sul vive uma transformação impulsionada pelo avanço da soja, das florestas plantadas, da citricultura e da produção de etanol de milho. Com menos áreas disponíveis para pastagens, a produção encontrada por muitos produtores tem intensificado os sistemas de produção, aumentando a produtividade por hectare. Mas produzir mais também significa assumir riscos maiores.

A pecuária de Mato Grosso do Sul passa pela intensificação com a expansão da soja, florestas plantadas, citricultura e etanol de milho, o que reduz áreas de pasto e eleva a necessidade de gestão financeira. Renan Maciel alerta que produzir mais aumenta os riscos e defende o controle de custos, fluxo de caixa e análise de indicadores. Ele prevê avanço do confinamento, mas com atenção ao preço do milho.

O alerta é do médico-veterinário Renan Maciel, da Aliança Assessoria e Consultoria Pecuária, que defende que a intensificação só traz resultados quando vem acompanhado de planejamento, controle de custos e gestão financeira da propriedade. A análise foi apresentada durante a divulgação dos resultados do Benchmarking da Estação de Monta 2025/2026, promovido pelo Grupo Aliança Assessoria e Consultoria Pecuária, em Campo Grande.

“Conforme eu intensifico uma área, aumento o meu risco. Se eu não estiver olhando alguns semáforos, como o custo da arroba produzida ou o ágio na compra dos animais, posso comprar em um momento errado e ter prejuízo na hora da venda”, afirma.

Segundo Renan, a intensificação da pecuária tornou-se ainda mais importante o acompanhamento dos indicadores econômicos da propriedade.

Na avaliação dele, muitos produtores dominam a parte técnica de produção, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar informações financeiras em ferramentas para a tomada de decisão. “O produtor precisa entender quanto custa produzir a sua arroba, montar o fluxo de caixa, planejar as compras e as vendas. Hoje isso faz tanta diferença quanto produzir bem.”

O consultor destaca que o cenário atual da pecuária sul-mato-grossense exige uma visão cada vez mais empresarial da atividade. “A labora se expandiu. Nós estamos concorrendo com a floresta. Ainda mais nesse cenário, o produtor vai precisar entender os números para não planejar errado.”

O confinamento deve crescer, mas o milho exige atenção

Na avaliação do médico-veterinário, a tendência é que Mato Grosso do Sul avance cada vez mais para sistemas de semiconfinamento e confinamento, consequência direta da intensificação da pecuária.

Ele ressalta, porém, que essa estratégia exige atenção aos custos, principalmente ao preço do milho, principal insumo utilizado na alimentação dos animais confinados. “O milho pode oscilar bastante porque hoje temos grandes consumidores no Estado, como as usinas de etanol de milho. Isso precisa entrar na conta do produtor.”

Renan cita a presença de grandes indústrias processadoras de milho em Mato Grosso do Sul, como as unidades da Inpasa e da Coamo, que ampliam a demanda pelo grão e podem influenciar sua precificação.

Segundo ele, antes de optar pelo confinamento, o produtor deve explorar ao máximo o potencial das pastagens. “A melhor arroba continua sendo produzida no pasto. Primeiro o produtor precisa atingir o limite da capacidade da pastagem. Depois disso, o confinamento passa a ser uma ferramenta para aumentar a produção.”

Evento marca início de um novo ciclo da pecuária

Para Renan Maciel, o Benchmarking da Estação de Monta representa um dos momentos mais importantes do calendário da pecuária de corte, por marcar o encerramento de um ciclo produtivo e o planejamento da safra seguinte.

É nesse período, segundo ele, que os produtores avaliam os resultados da estação de montagem, organizam o fluxo de caixa, definem estratégias para a produção de bezerros e iniciam o desenho das decisões que serão tomadas ao longo dos próximos meses. “É o momento de encerrar um ciclo e começar outro. O planejamento da fazenda acontece agora.”

Na avaliação do consultor, em um ambiente de margens cada vez mais emocionantes e decisões mais complexas, conhecer os números da propriedade deixaram de ser um diferencial e passaram a ser uma condição para manter a competitividade da pecuária.

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