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Conflito em Coronel Sapucaia: Conciliação termina sem acordo

Posted on July 18, 2026 by Rafael Oliveira

Processo retorna ao juiz após impasse sobre ampliação provisória da área ocupada em Coronel Sapucaia

Conciliação sobre ocupação indígena na Fazenda Madama termina sem acordo
Reunião realizada com fazendeiros e comunidade indígena (Foto: Divulgação)

Uma tentativa de conciliação entre representantes da comunidade indígena Tekoha Kurussu Amba IV/Xurite Ambá e os proprietários da Fazenda Madama, em Coronel Sapucaia, no interior de Mato Grosso do Sul, terminou sem acordo. Após uma série de reuniões e uma visita técnica realizada neste, a Comissão Regional de Soluções Fundiárias da Justiça Federal da 3ª Região devolveu o processo ao mês de justiça de origem para dar continuidade à ação de reintegração de posse.

A tentativa de conciliação entre a comunidade indígena Tekoha Kurussu Amba IV e proprietários da Fazenda Madama, em Coronel Sapucaia (MS), terminou sem acordo. A Comissão Regional de Soluções Fundiárias da Justiça Federal devolveu o processo ao julgamento de origem para continuidade da ação de reintegração de posse. Cerca de 50 indígenas não vivem em condições locais precárias. O conflito pela área, reivindicado como território tradicional Guarani-Kaiowá, existe desde 2007.

A decisão foi assinada pelo juiz federal Rodrigo Vaslin Diniz, membro da Comissão Regional de Soluções Fundiárias. No documento, publicado nesta sexta-feira (17), o magistrado afirma que, apesar da experiência de composição pessoal envolvendo proprietários, arrendatários, administradores da fazenda, lideranças indígenas e representantes de órgãos públicos, não foi possível construir um entendimento que atendesse aos interesses das partes.

O processo chegou à comissão em 13 de fevereiro deste ano. Desde então, foram realizadas reuniões por videoconferência com o proprietário da área, representantes da comunidade indígena, Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), DPU (Defensoria Pública da União), Ministério dos Povos Indígenas, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e representantes da fazenda. No dia 8 de julho, membros da comissão também fizeram uma visita técnica à área ocupada e à sede da propriedade.

Durante a visita, os representantes da fazenda informaram que aceitariam a permanência da comunidade indígena na área atualmente ocupada, desde que foi realizado o georreferenciamento do local, com definição precisa dos limites e instalação de marcos físicos, sem avanço sobre as áreas utilizadas para produção.

Já as lideranças indígenas defenderam a ampliação provisória da condução até uma estrada vicinal próxima, conhecida como “curva de nível”. Segundo a comunidade, a medida aumentaria a segurança dos moradores e reduziria o contato diário com funcionários da fazenda. O pedido, no entanto, não foi aceito pelos proprietários e arrendatários, o que levou ao impasse nas negociações.

Conciliação sobre ocupação indígena na Fazenda Madama termina sem acordo
Barracas de lona onde vivem os indígenas (Foto: Divulgação)

Infraestrutura – Na visita, a comissão constatou que cerca de 50 indígenas, entre crianças, adultos e idosos, vivem em 12 barracas de lona instaladas na área. As moradias apresentam condições precárias, sem isolamento térmico, instalações sanitárias e com piso de terra batida. O abastecimento de água é feito por caminhões-pipa e parte da comunidade utiliza um riacho próximo para consumo.

As lideranças Guarani e Kaiowá afirmaram que a área integra um território tradicional reivindicado pelo povo indígena e disseram aguardar há mais de 20 anos pela conclusão do processo de demarcação. Também relata episódios de violência, insegurança e dificuldades nas condições de moradia.

Por outro lado, os representantes da Fazenda Madama informaram que desenvolvem atividades agrícolas no local desde 2010 e afirmaram que a ocupação provocou a paralisação das atividades em aproximadamente 160 hectares, gerando prejuízos financeiros e dificuldades operacionais.

Disputa – Sem consenso, a Comissão Regional de Soluções Fundiárias declarou esgotadas, neste momento, as possibilidades de mediação e determinou o retorno do processo ao juízo de origem para o regular penalização da ação. A decisão destaca, entre os próximos encaminhamentos, a aplicação de determinações judiciais anteriores relacionadas à demarcação física da área atualmente ocupada pela comunidade indígena.

O magistrado ressaltou, contudo, que o retorno do processo não impede novos esforços de conciliação entre as partes nem uma eventual remessa do caso novamente à Comissão de Soluções Fundiárias, caso o juízo responsável considere essa medida oportuna.

Os conflitos envolvendo a Fazenda Madama, na fronteira com o Paraguai, existem desde o ano de 2007. A área é reivindicada como território tradicional por indígenas Guarani-Kaiowá, o que gerou episódios de retomadas, tensões e confrontos com produtores rurais na região ao longo dos anos.

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